março 09, 2009

And touched the sound of silence.


As vezes é bom ficar sentada no escuro. Puxar as pernas dobradas para perto do corpo, apertá-las contra seu peito como se te protegessem de algo. Podem estar te protegendo, de si mesmo.
Observar o nada sob uma nuvem de escuridão pode ser o único momento de paz do seu dia. Respirar e poder sentir cada mínimo ser vivo - ou não - a sua volta, se movimentando de acordo com você, se adaptando a seus costumes. Sentir seu coração batendo e suas veias pulsando por todo o seu corpo, sentir o seu cérebro se perguntar o que talvez possa estar a sua frente, sentir a caixinha do amor maquinar em sua cabeça. Trabalha, trabalha e quase nunca chega a algum lugar. Essa caixinha fica bem ao lado da decepção, da depressão e logo após, as lembranças felizes de uma infância distante chegam, ou quem sabe algumas dessas atuais e satisfatórias, também. Observar o escuro é como observar o seu próprio futuro. Não se pode dizer nada com absoluta certeza, mesmo que daqui a um segundo o que você pensou, ou planejou, aconteça. Observar o escuro te faz pensar em coisas que as vezes você não pensa no claro, consequentemente por poder enxergar algo que possa te distrair. Observar o escuro, sentí-lo entrar em você, em suas narinas enquanto respira, ouvir o som ensurdecedor do nada, aquela atmosfera leve te envolvendo, pode ser o único momento de paz do seu dia, o único momento de paz da sua vida.

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